Caxingui: Guia Completo do Bairro no Butantã
Há uma casa de taipa de pilão do século 17 no meio do Caxingui. Ela já foi museu de cultura indígena, já sediou a Embaixada dos Povos da Floresta e hoje abre de graça, de terça a domingo. Boa parte do Butantã nunca entrou lá.
Essa é mais ou menos a história do Caxingui: um bairro com camadas de história que quase ninguém conta. Neste guia, reunimos de onde vem o nome, como o bairro se formou, o que ver e como é morar por aqui.
De onde vem o nome
“Caxingui” tem origem tupi, e há mais de uma versão sobre o significado.
A leitura mais citada aponta para a junção de “caá” e “xinguí”, com o sentido de “mato rasteiro”, uma descrição da vegetação baixa que cobria a região antes da urbanização. Há também registro de uma interpretação alternativa, ligando o nome a um tipo de planta ou a um pequeno animal de área alagada.
A toponímia indígena, aqui, não é acidente. A região do Butantã, do Morumbi e do Caxingui guarda no próprio nome a presença dos povos tupi-guarani que ocupavam essas terras, e o Museu da Cidade de São Paulo já dedicou uma exposição inteira a esse trio de territórios.
Como o bairro se formou
A história começa muito antes do loteamento. As terras da antiga sesmaria do Butantã passaram por várias mãos ao longo dos séculos, dos jesuítas do Colégio São Paulo até famílias particulares, depois da expulsão da ordem, em 1759.
O ponto de virada é 1915, quando a Companhia City de Melhoramentos compra as terras da família Vieira de Medeiros e assume a urbanização das margens do Rio Pinheiros. É a mesma empresa responsável por bairros-jardim como o City Butantã.
Foi nesse movimento que, nos anos 1930, surgiram os bairros que hoje formam boa parte do distrito: Caxingui, Jardim Peri Peri, Vila Clotilde, Vila Gomes e Água Podre.
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A Casa do Sertanista: uma casa bandeirista do século 17
Este é o patrimônio mais importante do Caxingui, e o menos visitado pelos próprios vizinhos.
A Casa do Sertanista, também conhecida como Casa do Caxingui, foi construída em meados do século 17, segundo estudos do arquiteto Luis Saia. A arquitetura é típica das casas bandeiristas: planta em três lanços, telhado de quatro águas e paredes de taipa de pilão, técnica que caracterizou praticamente toda a construção paulista até meados do século 19.
Quem passou por lá
A trajetória do imóvel atravessa quatro séculos:
| Período | O que aconteceu |
| Século 17 | Primeiro morador de que se tem notícia: Padre Belquior de Pontes |
| Fim do século 19 | Pertence à família Beu, depois transferida à família Penteado |
| Sem data | A família Penteado vende a casa à Companhia City de Melhoramentos |
| 1958 | A Cia. City doa o imóvel à Prefeitura |
| 1966 | Começam as obras de recuperação |
| 1970 | Concluído o restauro, é instalado o “Museu do Sertanista”, voltado à cultura indígena |
| 1987 | A casa fecha para obras de conservação, interrompendo as atividades museológicas |
| 1989 | Passa a abrigar o Núcleo de Cultura Indígena da União das Nações Indígenas, instalando-se ali a Embaixada dos Povos da Floresta |
| 1993 | Com a saída do Núcleo, a casa passa por novas obras |
| 2000 a 2007 | Ocupada pelo Museu do Folclore “Rossini Tavares de Lima” |
| 2008 a 2012 | Novo restauro |
| 2012 | Reabre com a exposição “A Casa das Fontes”, da artista Sandra Cinto |
Hoje a casa integra o Museu da Cidade de São Paulo como exemplar da arquitetura colonial paulista.
Como visitar
📍 Endereço: Praça Ênio Barbato, s/n, Caxingui, São Paulo/SP, CEP 05517-040
🕘 Horário: terça a domingo, das 9h às 17h
🎟️ Entrada: gratuita
👥 Visitas: espontâneas, sem necessidade de agendamento
🏫 Grupos e escolas: agendamento por educativomuseudacidade@gmail.com
🚇 Metrô mais próximo: São Paulo-Morumbi (Linha 4-Amarela)
A casa é cercada por uma área verde de uso público, com regras estabelecidas em portaria da Secretaria Municipal de Cultura. Vale conferir no local o que é permitido antes de planejar piquenique ou atividade em grupo.
Praças e espaços do bairro
O Caxingui é um bairro de praças, e algumas organizam a vida do lugar.
Praça Ênio Barbato. Onde fica a Casa do Sertanista, é o principal espaço histórico do bairro.
Praça das Crianças. Na Rua Roquete Pinto, é bastante arborizada e tem playground com estruturas de madeira. Virou referência para famílias da região.
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Praça Imprensa Paulista e Praça Marcelo Tupinambá. Outros espaços de convivência que aparecem na malha de áreas livres do bairro.
Ruas e acesso
O Caxingui é cortado pela Avenida Professor Francisco Morato, uma das principais vias de ligação da zona oeste. Quem vem do centro pela Morato entra no bairro na altura da Rua Quitanduba.
Outras vias que estruturam o bairro incluem a Rua Roquete Pinto e a Avenida Trona Constanzo.
De metrô: a estação mais próxima é a São Paulo-Morumbi, da Linha 4-Amarela.
De ônibus: a região é atendida por diversas linhas. Vale consultar o aplicativo da SPTrans ou de rotas para o seu trajeto.
De carro: o acesso principal é pela Francisco Morato, com ligação para a Avenida Corifeu de Azevedo Marques, a Avenida Eliseu de Almeida e a Avenida Vital Brasil.
Como é morar no Caxingui
O perfil do bairro é predominantemente residencial, com ruas arborizadas e uma atmosfera de vizinhança que atrai famílias. É o tipo de lugar onde as praças ainda funcionam como ponto de encontro.
A localização é um dos pontos fortes. O Caxingui fica entre o eixo da Francisco Morato e o entorno da Cidade Universitária, com acesso rápido às principais avenidas do distrito e ao metrô.
O comércio de rua atende bem o dia a dia, e a proximidade com o centro comercial do Butantã e com o Butantã Shopping resolve o que falta.
A memória que o bairro guarda
Num relato publicado em 2007 no projeto São Paulo Minha Cidade, o morador Francisco, que nasceu e viveu no Caxingui até os 26 anos, descreveu um bairro bem diferente do atual.
Ele conta que se casou no Largo do Caxingui, na Igreja de Santo Antônio, em 1976; que estudou no Grupo Escolar Senador Adolfo Gordo; e que o bairro tinha dois times de várzea, o Grêmio, mais popular, e o Nacional. Menciona também a antiga Fábrica de Roupas Regência, na Rua Julieta, que produzia para lojas importantes de São Paulo.
E deixa uma observação que ainda vale:
Se eu mencionar o bairro que vem após, a maioria já ouviu falar, mas quando eu falo em Caxingui, a maior parte nunca ouviu falar.
É exatamente esse anonimato que faz o Caxingui interessante. O bairro tem patrimônio do século 17, praças vivas e localização privilegiada, e segue sendo o vizinho discreto do Butantã.
Perguntas frequentes
O Caxingui faz parte de qual distrito?
Do distrito do Butantã, na zona oeste de São Paulo, administrado pela Subprefeitura do Butantã.
Qual o metrô mais próximo do Caxingui?
A estação São Paulo-Morumbi, da Linha 4-Amarela.
A Casa do Sertanista pode ser visitada?
Sim. Abre de terça a domingo, das 9h às 17h, com entrada gratuita e sem necessidade de agendamento para visitas individuais.
O que significa Caxingui?
O nome tem origem tupi. A versão mais citada aponta para “mato rasteiro”, da junção de “caá” e “xinguí”.
O Caxingui é um bairro residencial?
Sim, predominantemente. Tem comércio de rua para o dia a dia, mas o perfil é de bairro de moradia.
Texto produzido para o Portal do Butantã, sua referência sobre a Zona Oeste de São Paulo. Informações verificadas em 16 de setembro de 2026 no Museu da Cidade de São Paulo e em fontes de história local.

