9 de Julho: por que essa data também é história viva no Butantã
Todo dia 9 de julho, São Paulo para para lembrar de um dos capítulos mais marcantes da sua história: a Revolução Constitucionalista de 1932. E poucas pessoas sabem, mas o Butantã guarda um pedaço bem concreto dessa memória, gravado até hoje nos nomes das próprias ruas do bairro.
O que aconteceu em 9 de julho de 1932
Em 1932, São Paulo vivia um clima de forte insatisfação com o governo provisório de Getúlio Vargas, que havia chegado ao poder pela Revolução de 1930 e, dois anos depois, ainda não tinha convocado eleições nem promulgado uma nova Constituição. A revolta armada começou às 20h30 do dia 9 de julho, quando civis e militares paulistas se levantaram contra o governo federal, na chamada Revolução Constitucionalista.
O conflito durou 87 dias, entre 9 de julho e o início de outubro de 1932, mobilizando cerca de 200 mil voluntários no estado, dos quais 60 mil de fato entraram em combate. Apesar da derrota militar dos paulistas, algumas das principais reivindicações do movimento acabaram atendidas: já em 1933 houve eleição para uma Assembleia Constituinte, e em 1934 o Brasil ganhou uma nova Constituição. Por isso, é comum descrever a Revolução como um movimento “derrotado nas armas, mas vitorioso politicamente” — e é por essa razão que o dia 9 de julho é hoje feriado estadual e a data cívica mais importante de São Paulo.
O elo com o Butantã: as ruas que viraram monumento
Antes mesmo do início da guerra em julho, um episódio trágico em maio de 1932 acabou virando símbolo de toda a Revolução. No dia 23 de maio, durante uma manifestação contra o governo Vargas, a polícia matou quatro jovens que participavam do ato: Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade. As iniciais dos quatro deram origem à sigla MMDC, que se tornaria um dos maiores símbolos do movimento constitucionalista — mais tarde, um quinto nome, Orlando de Oliveira Alvarenga, também baleado no mesmo episódio e falecido em agosto daquele ano, passou a ser lembrado junto aos outros.
É exatamente essa memória que ficou registrada no mapa do Butantã: no bairro existe a Rua MMDC, e bem ao seu redor estão as ruas Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo — cada uma batizada com o nome de um dos jovens mortos em 1932. Nas proximidades dessas ruas, na Praça Waldemar Ortiz, também há um pequeno monumento em homenagem aos heróis do movimento.
Ou seja: caminhar por essa região do Butantã é, literalmente, atravessar um pedacinho da Revolução Constitucionalista. A escolha desses nomes não foi acidental — faz parte de um esforço, repetido em diversas cidades do interior paulista, de manter viva na paisagem urbana a lembrança dos que morreram pela causa constitucionalista, ao lado de outros marcos na cidade, como o Obelisco do Ibirapuera, que abriga os restos mortais de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.
Por que vale lembrar
Mais do que uma curiosidade de mapa, esse conjunto de ruas é um convite: da próxima vez que passar pela Rua MMDC ou pelas ruas vizinhas no Butantã, vale parar um instante e lembrar que ali, no nome das próprias vias do bairro, mora um pedaço da história que resultou no feriado que os paulistas celebram todo 9 de julho.

